segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Casa de vó, sem vó

Eis que se passou um ano:

um ano em que senti que daria um último abraço
um ano de estive em Lisboa chorando sua perda e a saudade.

Ainda que esperada, a perda de alguém querido nunca é simples ou fácil, sobretudo se você não deu o "adeus".

Sempre achei que fosse bobagem esse lance de se despedir, afinal, o que importa é aquilo que sentimos [e se a pessoa querida sabe de nossos sentimentos]. Mais uma vez sou pega de surpresa.

Caminhar pela casa dela foi achar que ela pudesse aparecer a cada momento. Sentir seu perfume, seu carinho de vó. Esperar ter purê no almoço e um bolo de chocolate em cima da mesa da cozinha. Ouvi-la pedir água do mesmo jeito que pede desde que me conheço por gente: "Ô Tatinha, vá pegar um caneco d'água pra mim. Mas não encha não, viu".

Quando acordei pela manhã, consegui ouvi-la dizer: "olhe, forre logo a cama". Ela tinha uma mania de organização gigantesca [gostaria de ter herdado isso]. Olhava para a sala e conseguia ver sua imagem sentada na cadeira de balanço vendo a novela [num volume extremamente alto].

Que saudade de simplesmente abraçá-la e encaixar a cabeça em seu ombro, de senti-la agarrar minha mão, pedir para eu fazer o mesmo movimento e comentar "en ennnn... toda vida tivesse as juntas molinhas, não foi, tatinha?"

Poderia enumerar cada coisa que faz com que eu sinta que vou acordar e ouvir a senhora me "passando um gato".

Que saudade de me sentir amada, amada com sinceridade, sem interesses e cobranças maiores que a da reclamação pela tatuagem feita. O dia em que a sra virou para mim e falou "ô neguinha, vc não tem noção do tanto que eu te amo" não para de se repetir em minha mente.

Que saudades!

domingo, 13 de novembro de 2011

"pense em sua qualidade de vida"

Num fim de noite de bebedeira um recém apresentado rapaz vem-me com a célebre frase: "pense em sua qualidade de vida". E esta frase, desde então, não para de se repetir em minha mente.

"Pense em sua qualidade de vida"
"Pense em sua qualidade de vida"
"Pense em sua qualidade de vida"

Ouvi num contexto de fim de festa, em que brincadeiras de recém velhos amigos demonstram preocupação acerca de recuperação etílica, mas tudo que consigo é fazer associação ao dias ébrios de olhos tristes, poucas palavras e muita dor.

"Pense em sua qualidade de vida"

E parece que a pessoa que me conheceu há apenas 9 horas antes da proferida frase foi capaz de me dar um "se liga" e a demonstrar preocupação com uma grande indefinição de decisão dos meus 24 anos de vida.